Globo descarta nomes históricos e privilegia “panelinhas”; resultado poderá ser visto no futuro

A maior emissora de televisão do Brasil, criadora de grandes formatos e nomes que estão na telinha, passa por um momento singular: estrelas da velha geração são substituídas por gente da nova era do entretenimento, mas a mudança que era para ser feita de forma natural tem gerado controvérsia pela forma como é feita e pelo ressentimento gerado. É justo “descartar” pessoas que ajudaram a construir a história da Globo depois de anos de dedicação por causa da idade ou por que não geram os mesmos resultados de antes?

Na era Boni as coisas não funcionavam dessa forma e não havia espaço para grandes talentos deixarem de dar resultados. O homem de ferro da Globo prezava pela qualidade das produções e não permitia que suas estrelas entrassem em projetos que arranhassem suas imagens. Foi a partir da gestão de Otávio Florisbal que nomes épicos da Globo começaram a perder espaço na programação. Não dá para deixar de lembrar de Chico Anysio, o caso mais emblemático. O lendário humorista morreu magoado pela falta de espaço na programação da rede carioca. Por mais que estivesse debilitado, Chico queria contribuir pelo menos na roteirização e criação de formatos. Não ganhou sequer homenagens da emissora em seus últimos momentos de vida. Só após sua morte passou a ser lembrado, atualmente com a “Escolinha do Professor Raimundo”, apresentada como uma homenagem a ele.

Xuxa Meneghel, a maior apresentadora que a Globo teve ao longo de toda sua história (pelo lucro gerado, sucesso internacional, venda de CDs, etc…) ,foi descartada da programação em 2015. A loira é geniosa e certamente dava trabalho, mas nunca passou pela cabeça de nenhum profissional experiente ou crítico de televisão que um dia a Globo iria abrir mão dela. Isso porque, como disse Boni em entrevista recente, “Xuxa era um patrimônio da Globo”. Apesar de não render o mesmo sucesso do passado, Xuxa ainda gera muita repercussão e sua audiência nas tardes de sábado era muito parecida com o que o “Estrelas”, de Angélica, marca hoje: algo em torno de 9 e 10 pontos. Ou seja, Xuxa era muito cobrada, mas seus resultados não eram tão pífios quanto pareciam.

Outro caso emblemático é de Renato Aragão. O Didi foi colocado na geladeira com a promessa de que voltaria brevemente com especiais anuais, mas nem isso ainda foi concretizado.

A preocupação agora é com Jô Soares: ele recebeu da Globo a mesma promessa que Renato Aragão, Xuxa, Chico Anysio e outros grandes nomes ouviram antes de serem colocados na geladeira: um ano sabático sem trabalhar e depois a volta às telinhas. Na Globo, há quem duvide que Jô ganhará um novo projeto.

O que impressiona é que a atualmente impera as “panelinhas” nos bastidores do canal carioca. Quem tem mais amizade com diretores, quem consegue aparecer mais nos sites de fofoca a todo custo e, por tanto, prova que “está na mídia” ou consegue um par romântico que resulte em muito lucro se estabelece, salvo as exceções. Enquanto isso, aqueles que se estabeleceram com muito esforço e ajudaram a construir a história da televisão perdem espaço porque os gestores só olham para as pesquisas e para um cenário momentâneo. O problema reside no imponderável, no surpreendente, no que não muda… se na música existem cantores “do momento” que, mais tarde, somem na velocidade com que aparecem, os grandes nomes se estabelecem – Roberto Carlos, Gilberto Gil, Caetano… – por mais que estejam aparentemente “desaparecidos”. Só futuramente a Globo poderá calcular o quanto lhe custou desprezar os nomes que o público jamais esquecerá.

  • 27/12/2016
  • Léo Rocha

Veja mais

Deixe seu comentário