Cuiabá está em alerta contra a dengue e, caso uma nova epidemia acometa o Estado – como ocorreu em 2009 -, a preocupação principal é de que não haja unidades de saúde suficientes para atender à demanda, uma vez que a saúde no Estado anda precária.
O último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aeqypti(LIRAa), realizado pela Secretaria Municipal de Saúde, entre os dias 13 e 14 de setembro deste ano, apontou que 86,37% dos criadouros de larvas do mosquito transmissor da doença são encontrados no interior das residências.
Segundo o diretor de Vigilância em Saúde da Secretaria, Benedito Oscar Campos, o alto índice demonstra que não basta o município intensificar os trabalhos de combate ao mosquito, se a população não colaborar, praticando a prevenção dentro de casa – impedindo, principalmente, o acúmulo de água parada.
Na última semana, sete casos de dengue foram registrados na Capital e, de janeiro até agora, foram notificados 1.007 casos de dengue, o que corresponde a 75% menos em relação ao mesmo período de 2010.
Apesar de a comparação ser uma vitória para a cidade, os índices registrados pelo LIRAa são considerados altos pela secretaria, uma vez que a época de chuva ainda não começou em Mato Grosso, e os números de casos deveriam ser menores. Dados apontam que a incidência de dengue nesse ano já colocou a cidade em estado de alerta para a possibilidade de epidemia.
Até o momento, já forma realizadas mais de 1,167 milhão de visitas de rotina aos imóveis da Capital e mais de 3,5 milhões de depósitos (criadouros) do mosquito foram inspecionados. Destes, 154.125 receberam tratamento com o uso de larvicidas.
Criadouros
Segundo dados do levantamento realizado pelo município, dentro das residências, 86,5% dos criadouros estão em caixas d’águas. Outro foco de proliferação das larvas são os vasos de plantas, que acumulam água parada e correspondem a 6,4% dos registros.
Lixos e outros resíduos sólidos correspondem a 5,4% dos criadouros, enquanto calhas e ralos de piscina representam 1,3% dos focos de proliferação dos mosquitos. Pneus e outros materiais rodantes que muitas vezes são usados pelo mosquito transmissor como depósito das larvas correspondem a 0,3%.
Pontos estratégicos
Entre os bairros com os maiores índices de infestação larvária, chamados de pontos estratégicos, estão Bela Marina, Dom Aquino, Jardim Paulista, Praeirinho e São Mateus, que apresentaram valores acima de 6%. O Ministério da Saúde já considera que locais com índices acima de 4% correm risco de epidemia. O índice médio de Cuiabá foi de 3,2%.
Somente na semana passada, 901 visitas foram realizadas nos pontos estratégicos e 642 depósitos foram eliminados, segundo dados da Secretaria de Saúde.
Desde o início do ano até a semana passada, os bairros que se destacaram com registro superior a três casos de dengue foram Pedra 90 (65), Pedregal (32), CPA IV (26), Santa Isabel (23), Novo Paraíso (21), Alvorada (20), CPA III (18), Canjica (18), 1º de Março (15), Nova Esperança (15) e Jardim Industriário (12).
Novo tipo
Um novo tipo de dengue, chamado de DENV 4, já está em circulação por alguns estados no país, como Roraima, Goiás e Minas Gerais, e deixou a Secretaria de Saúde em estado de alerta para a possível introdução do novo vírus na Capital.
O diretor de Vigilância disse que, em Mato Grosso, circulam apenas três sorotipos da dengue. “Com a mobilidade das pessoas, em breve esse tipo vai chegar aqui. A única coisa que podemos fazer, além de ações de bloqueio da transmissão (prevenção), é monitorar para saber quando este tipo vai chegar ao Estado”, afirmou.
Campos afirmou que cada pessoa pode pegar dengue até quatro vezes (exatamente o número de tipos existentes). “A cada vez, é um tipo diferente, porque o corpo fica imunizado ao vírus que já contraiu. A probabilidade de apresentar um quadro mais grave na próxima vez (que pegar a doença) é maior”, explicou.
Apesar de ser um quarto tipo da dengue, o diretor não o aponta como o mais grave. Segundo ele, o tipo 2 da dengue – que tomou conta do Estado em 2009, quando houve epidemia da doença em Mato Grosso (12.550 casos) e muitos óbitos foram registrados – é o que apresenta um quadro de evolução mais grave e é o mais agressivo dos tipos da doença.
“O tipo 4 apresentou uma agressividade menor que os outros. Isso foi o que se percebeu nos outros Estados. Mas não sabemos como isso poderá afetar a população de Cuiabá”, disse Campos. Ele ressalta ainda que todos os tipos de dengue podem evoluir para um quadro hemorrágico (mais grave).
De acordo com o diretor, “o chamado de alerta no momento é focado na prevenção para que não tenhamos epidemia também neste ano no Estado”.
Prevenção
O secretário-adjunto de Saúde de Cuiabá, Euze Carvalho, apontou que a prevenção deve ser feita por cada um, mas que o município está fazendo a sua parte, alertando a população, aumentando as visitas de técnicos nas residências e intensificando a pesquisa de isolamento viral desde o último resultado do LIRAa.
Sobre o uso dos famosos “fumacês”, Carvalho disse que a hipótese está descartada. “Não se faz mais porque causa um estrago muito grande para o meio ambiente. A gente faz a investigação e passa com as bombas costais (carregadas pelos técnicos), porque vamos dentro da casa e atingimos diretamente o foco com o larvicida”, justificou.
Além disso, estão sendo feitos mutirões e implementação de atividades de limpeza de bolsões de lixo e monitoramento dos pontos estratégicos, bem como aumentou a agilidade no fluxo de notificações a partir das unidades de saúde.
Atendimento
Campos destacou que, aos sentirem os primeiros sintomas de dengue, como febre, dores musculares, nas articulações, atrás dos olhos, ou abdominais, as pessoas devem se dirigir imediatamente para uma unidade de saúde a fim de fazer os exames necessários a fim de diagnosticar se estão com doença.
A prevenção, no entanto, é o melhor caminho. Campos admitiu que, caso outra epidemia aconteça no Estado, as unidades públicas de saúde não possuem a estrutura necessária para atender e socorrer à toda população.
“Temos uma situação crítica na área da saúde em todo o país, não só em Mato Grosso. Então, temos que partir para a prevenção”, alegou o diretor.
Segundo ele, os que mais preocupam – caso sejam picados pelo mosquito transmissor – são as crianças e os idosos, além das pessoas que por um motivo ou outro tenham baixa imunidade, uma vez que aumentaram o número de notificações desses casos.
Fonte: MÍDIA NEWS














